O Espaço Cultural Tribo do Porto está localizado no bairro Porto de Trás na cidade de Itacaré-BA.

Este bairro é um dos poucos bairros de Itacaré onde se pode presenciar as tradições de um povo descendente do sistema escravocrata.

O bairro Porto de Trás é considerado uma comunidade quilombola (o que define o quilombo é o movimento de transição da condição de escravo para a de camponês livre).

Desde o ano de 2003 nasceu a, Associaçao Cultural Tribo do Porto, uma entidade sem fins lucrativos, com o objetivo de incenticar crianças e adolescentes do bairro Porto de Trás a preservar a cultura de seu povo, além de ajudar a elevar sua auto estima e fazer com que se sintam cidadãos conscientes,valorizados e integrados em seu meio.

À frente do projeto sempre esteve os professores,Miquiba e Comprido e apoio dos instrutores Péricles,Nero Bóia,Xixito,Leandro e Laíze, que utilizavam o galpão da "Tribo" para dar aulas de capoeira,maculelê,samba de roda,puxada de rede,dança afro e também cursos de artesanato,gincanas e passeios.

No segundo semestre de 2008 a comunidade ganhou um novo Espaço Cultural, com o apoio do SVEA,Instituto de Turismo de Itacaré(ITI), Villas de São José e Semear Ambiental, onde pretendem resgatar e apresentar as contribuições dos povos africanos na história e formação da cultura brasileira.

Tribo do Porto

O bairro Porto de Trás está localizado na cidade de Itacaré,litoral sul do estado da Bahia; uma comunidade étnica de afro-descendentes, tradicionalmente vinculada à pesca artesanal.

Os moradores deste bairro, agrupados pelo pertencimento familiar, foram segregados no espaço urbano
por implicações raciais e sócio-econômicas. Com a introdução do turismo nos anos de 1990, o bairro, que se preservou dos novos processos de ocupação, manteve suas práticas culturais e passou a ser reconhecido como um reduto de “autenticidade” da cultura local.

A história real ou suposta do lugar remete seus fundadores a remanescentes do quilombo do Oitizeiro, a escravos foragidos das fazendas e dos navios negreiros que por ali passavam.
Reclusos nesta área de ocupação cultuaram seus ancestrais e perpetuaram a solidariedade étnica através de práticas culturais que sobrevivem nas “festas do Porto”, tais como o samba de roda, a folia de reis, o bicho caçador, a capoeira dos estivadores e as festas de São João.

A “autenticidade da cultura local”, tem despertado o interesse de algumas ONGs internacionais, o que vem possibilitando alguns benefícios para os moradores do Porto.

A título de exemplo, a CARE Brasil se encarregou da construção dos banheiros nas moradias do bairro, que até muito recentemente só contava com um único banheiro público. No ano de 2006, um livro sobre “Biatatá”, uma lenda do Porto foi confeccionado pelas crianças locais e publicado pela editora espanhola Libre Obert, de Barcelona. Há cerca de três anos, uma empresa turística internacional financiou a construção do ESPAÇO CULTURAL TRIBO DO PORTO, solidificando um espaço anteriormente criado pelos jovens da “Tribo do Porto”, um grupo formado por capoeiristas da área.

Estes jovens, atualmente lideram a Associação de Moradores que está pleiteando junto a Fundação Palmares o reconhecimento do Porto de Trás como quilombo urbano, com o intuito de garantirem a manutenção do território para as famílias tradicionais locais, participarem das políticas de reparação propostas pelo Estado e gerarem capacitação profissional para a população jovem do Porto.

Mediante o reconhecimento internacional das riquezas patrimoniais do Porto, a prefeitura e as empresas turísticas locais, ainda que de modo superficial, vem buscando uma aproximação com os moradores, seja citando-os como patrimônio da cultura local ou negociando sua inclusão nos calendários festivos.